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De onde viemos?

O Instituto Cultural Bantu nasceu da convicção de que a ancestralidade é uma poderosa ferramenta de transformação social. Nossa história começa muito antes da fundação da organização, ela se enraíza na trajetória de vida de seu fundador e na Capoeira Angola como expressão de educação, cuidado, pertencimento e construção de futuros.

Mestre Roxinho: uma trajetória de resistência e transformação

Fundado em 2006, o Instituto Cultural Bantu é fruto da trajetória, da ancestralidade e da visão de mundo de Edielson Miranda, conhecido como Mestre Roxinho — capoeirista nascido na Ilha de Itaparica, neto e filho de capoeiristas, cuja história sempre esteve profundamente ligada à cultura afro-brasileira.

Sua infância foi marcada por grandes desafios. Viveu sob um viaduto e trabalhou nas ruas de Salvador para sobreviver, enfrentando de perto as desigualdades que atingem a juventude negra periférica.

Ainda menino, sua vida ganhou um novo significado ao ser acolhido pelo saudoso Mestre Virgílio da Fazenda Grande, que lhe ensinou o ofício de serralheiro e lhe transmitiu os fundamentos da Capoeira Angola.

Esse encontro entre ancestralidade, disciplina, cuidado e resiliência transformou sua trajetória.

Ao longo das décadas seguintes, Mestre Roxinho tornou-se mestre de Capoeira Angola, educador social, articulador comunitário e referência internacional na promoção da Capoeira Angola como tecnologia social e instrumento de desenvolvimento humano.

Em 1993, iniciou o projeto Erê: Menino Vem Gingar, com crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade, criando espaços de acolhimento, pertencimento, formação cidadã e fortalecimento da identidade cultural.

Em 1998, o referido projeto passou a ser chamado de Projeto Bantu, após o mestre compreender a sua conexão ancestral. Tempos depois essa iniciativa deu origem, em 2006, ao Instituto Cultural Bantu (ICBantu), organização da sociedade civil que desenvolve metodologias afrocentradas, integrando educação, cultura, arte, sustentabilidade, economia solidária, empreendedorismo e geração de emprego e renda.

Atualmente, Mestre Roxinho atua como:

  • CEO do Instituto Cultural Bantu;

  • Mestre da ECAMAR – Escola de Capoeira Angola Mato Rasteiro;

  • Embaixador da Comunidade LED (Rede Globo e Fundação Roberto Marinho);

  • Conselheiro, pesquisador e articulador de iniciativas sociais, culturais e educacionais no Brasil e no exterior.

Também é autor de obras que apresentam a Capoeira Angola como tecnologia social, ecossistema educativo e expressão da cosmovisão africana, fundamentos que estruturam toda a atuação do Instituto.

A história de Mestre Roxinho e a história do Instituto Cultural Bantu são indissociáveis. Ambas revelam que a ancestralidade, quando transformada em prática educativa, é capaz de romper ciclos de exclusão, fortalecer comunidades e construir futuros mais justos.

Capoeira Angola como Tecnologia Social

No Instituto Cultural Bantu, a Capoeira Angola vai muito além de uma manifestação cultural ou prática corporal. Ela constitui uma tecnologia social afro-brasileira, construída ao longo de gerações como instrumento de educação, cuidado, organização comunitária e transformação social.

Sua metodologia compreende a Capoeira Angola como um ecossistema educativo que articula corpo, oralidade, musicalidade, memória, território, espiritualidade, cooperação e pertencimento.

Por meio de suas práticas, são desenvolvidas competências socioemocionais, consciência cidadã, liderança, autonomia e resolução de conflitos, além do fortalecimento da autoestima e da valorização das identidades negras.

Essa abordagem integra diferentes dimensões da vida comunitária, conectando educação, cultura, segurança alimentar, sustentabilidade, economia solidária, formação profissional e desenvolvimento territorial.

Inspirada na cosmovisão africana, a metodologia do ICBantu compreende que aprender é um processo coletivo, intergeracional e permanente, no qual cada pessoa ensina, aprende e transforma o mundo ao seu redor.

Mais do que preservar uma tradição, a Capoeira Angola é utilizada como uma ferramenta contemporânea de enfrentamento das desigualdades, contribuindo para o fortalecimento dos vínculos comunitários e para a promoção do desenvolvimento humano sustentável.

Cada contribuição fortalece vidas.

Ao realizar uma doação para o Instituto Cultural Bantu, você investe diretamente em educação, cultura, segurança alimentar, geração de renda, sustentabilidade e desenvolvimento comunitário.